tie-sangue

Tiê-sangue

Espécie endêmica do Brasil.

Ave símbolo da Mata Atlântica e uma das mais espetaculares do mundo, o tiê-sangue (Ramphocelus bresilius), também conhecido como sangue-de-boi, tiê-fogo, chau-baêta e tapiranga, é uma ave sul-americana passeriforme da família Thraupidae, reconhecida pela beleza de sua plumagem vermelha.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (grego) rhamphos = bico; e koilos, këlis, kelas = côncavo, marcado; e do (latim) bresilius = referente ao Brasil, brasileiro. ⇒ (Pássaro) brasileiro com bico côncavo.

Características

Mede entre 18 e 19 centímetros de comprimento e pesa entre 27,9 e 35,5 gramas. (Hilty, 2016).
A plumagem do macho é de um vermelho-vivo, que deu origem ao nome. Parte das asas e da cauda são pretas. A espécie apresenta dimorfismo sexual, sendo a plumagem da fêmea menos vistosa, de cor parda nas partes superiores e marrom-avermelhada nas inferiores.
O macho imaturo é semelhante à fêmea na plumagem, mas o bico é totalmente negro e não pardo. Uma característica importante do gênero Ramphocelus, e que ocorre exclusivamente no sexo masculino, é a calosidade branca reluzente na base da mandíbula.
Essa espécie não é considerada entre as que possuem canto mais bonito. A vocalização de chamada (ou advertência) é muito dura. O canto é um gorjear melodioso e trissilábico, que costuma ser repetido sem pressa. Às vezes, alguns indivíduos vocalizam juntos.

Subespécies

Possui duas subespécies reconhecidas:

  • Ramphocelus bresilius bresilius (Linnaeus, 1766) - ocorre na Mata Atlântica, da Paraíba ao sul da Bahia. Esta subespécie apresenta o dorso vermelho brilhante, sem estrias negras.
  • Ramphocelus bresilius dorsalis (P. L. Sclater, 1855) - ocorre na Mata Atlântica, do Rio de Janeiro até Santa Catarina. Esta subespécie apresenta a coloração do dorso com um vermelho mais escuro e estriado do que a subespécie nominal.

Aves Brasil CBRO - 2015 (Piacentini et al. 2015).

Fotos das subespécies de Ramphocelus bresilius
(ssp. bresilius) (ssp. dorsalis)

Alimentação

O Tiê-sangue é frugívoro, tendo predileção pelos frutos da Embaúba. Como as árvores do gênero Cecropia são bastante comuns em áreas em recuperação, bem como em locais próximos a cursos ou reservas de água.
Alimenta-se também de insetos e vermes. Um fator que beneficiou a manutenção da população do Tiê-sangue e de outros thraupídeos no litoral do Sudeste foi a extensiva cultura da banana, que fornece uma rica fonte de alimentação, durante todo o ano, a um grande número de espécies.
Aprecia os frutos da Fruta-de-sabiá ou Marianeira (Acnistus arborescens)

Reprodução

Reproduz na primavera e no verão. Chega à maturidade sexual aos 12 meses, mas a soberba plumagem rubro-negra do macho só é adquirida no segundo ano de vida. Constrói o ninho em forma de cesto, que muitas vezes é forrado com materiais do tipo: fibra de palmeira, fibra de sisal, fibra de coco e raiz de capim. A fêmea põe 2 ou 3 ovos verde-azulados lustrosos, com pintas pretas, pesando em média 3 gramas. Apenas a fêmea incuba, no entanto após o nascimento dos filhotes, vários indivíduos alimentam a prole, inclusive machos. Seus ninhos costumam ser parasitados pela espécie vira-bosta (Molothrus bonariensis). As posturas ocorrem de duas a três vezes por temporada, com período de incubação de 13 dias, e os filhotes tornam-se independentes aproximadamente 35 dias após o nascimento.
Durante o acasalamento os machos costumam levantar a cabeça verticalmente, exibindo ao máximo a base reluzente da mandíbula, para assim atrair a fêmea.

Hábitos

Seu comportamento é semelhante ao da pipira-vermelha (Ramphocelus carbo), porém vive mais aos pares do que em pequenos grupos. Costuma frequentar comedouros.
Varia de incomum a localmente comum em capoeiras baixas, bordas de florestas, restingas e plantações, às vezes também em parques e praças de cidades.

Distribuição Geográfica

Encontrado exclusivamente no Brasil, da Paraíba a Santa Catarina. Varia de incomum a localmente comum em capoeiras baixas, bordas de florestas, restingas e plantações, às vezes também em parques e praças de cidades. Pela ampla área de distribuição e quantidade de indivíduos registrados, essa espécie é considerada como Pouco Preocupante (LC) de extinção na natureza.

Referências

  • Brasil 500 Pássaros. Disponível em http://webserver.eln.gov.br/Pass500/BIRDS/1birds/p443.htm. Acessado em: 02.03.2009
  • Fauna da Ilha. Disponível em: http://www.pmf.sc.gov.br/portal/meioambiente/nossafauna/07.htm. Acessado em: 02.03.2009
  • FRISCH, Johan Dalgas. Aves brasileiras e plantas que as atraem 3ª ed.. Dalgas ecoltec, São Paulo, 2005, p.350.
  • Hilty, S. (2016). Brazilian Tanager (Ramphocelus bresilius). In: del Hoyo, J., Elliott, A., Sargatal, J., Christie, D.A. & de Juana, E. (eds.). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona.
  • LIMA, Pedro. Aves do Litoral Norte da Bahia. 2006.
  • Piacentini et al. (2015). Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee / Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Revista Brasileira de Ornitologia, 23(2): 91–298.
  • Portal Feomg - Portal da Federação Ornitológica de Minas Gerais. Disponível em: http://www.feomg.com.br/ram_bres.htm. Acessado em: 02.03.2009.
  • SICK, H. 1997. Ornitologia brasileira. Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira, 912 p.
  • Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ti%C3%AA-sangue. Acessado em: 02.03.2009

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tie-sangue.txt · Última modificação: 2018/12/15 22:54 (edição externa)