cambacica

Cambacica

A cambacica (Coereba flaveola) é a única espécie da família Thraupidae no sistema classificativo tradicional. É também conhecida como tietê, mariquita, chupa-mel, til (Rio Grande do Norte), chiquita (Rio de Janeiro), sebinho (Minas Gerais), caga-sebo, cabeça-de-vaca (interior de São Paulo), sibite (Rio Grande do Norte) e chupa-caju (Ceará), sebito e guriatã-de-coqueiro (Pernambuco), sebinho, papa-banana (Rio Grande do Sul), saí e tem-tem-coroado (Pará), sibito-de-manga (Maranhão), chupa-lima (Paraíba). Nos sistemas classificativos anteriores à taxonomia de Sibley-Ahlquist, a cambacica classificava-se numa família própria, Coerebidae.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (tupy) coereba = nome indígena de origem tupi para um pequeno pássaro azul, preto e amarelo, não confirmado em Garcia (1929); e do (latim) flaveola, flaveolus = diminutivo de flavus = dourado, amarelo. ⇒ pássaro amarelinho.

Características

Mede aproximadamente 10,5-11,5 centímetros e pesa cerca de 8-10 gramas. Tem o dorso marrom, o peito e o abdome amarelos, o pescoço cinza e a cabeça listrada preta e branca, não apresentando diferenças na plumagem em relação aos machos e fêmeas.

ESPÉCIE SEM DIMORFISMO SEXUAL



Indivíduos com plumagem flavística

O que é flavismo?

Flavismo é a ausência parcial da melanina (nesse caso ainda pode ser observado um pouco da cor original da ave), porém presença de pigmentos carotenoides. A ave flavística ou canela se apresenta com a coloração diluída, devido à perda parcial de melanina, tanto da eumelanina (pigmento negro) quanto da feomelanina (pigmento castanho).

Subespécies

Existem 41 subespécies válidas, 5 delas presentes no Brasil:

  • Coereba flaveola alleni (Lowe, 1912): Mato Grosso e Bolivia.
  • Coereba flaveola chloropyga (Cabanis, 1850): S Peru, Bolivia, Paraguai, Brasil e NE Argentina.
  • Coereba flaveola intermedia (Salvadori & Festa, 1899): SO Colombia, N Peru, SO Venezuela, O Brasil.
  • Coereba flaveola minima (Bonaparte, 1854): L Colombia, S Venezuela, Guianas, N Brasil.
  • Coereba flaveola roraimae (Chapman, 1929): Tepuis do SE Venezuela, NO Brasil e SO Guiana.

Das outras subespécies, algumas tem a pecualiaridade de habitarem apenas pequenas ilhas e ilhotas do Caribe:

  • Coereba flaveola aterrima (Lesson, 1830): Granada e Granadinas.
  • Coereba flaveola atrata (Lawrence, 1878): Saint Vincent.
  • Coereba flaveola bahamensis (Reichenbach, 1853): Bahamas e Grand Turk.
  • Coereba flaveola bananivora (Gmelin, 1789): Haiti e República Dominicana.
  • Coereba flaveola barbadensis (Baird, 1873): Barbados.
  • Coereba flaveola bartholemica (Sparrman, 1788): N Antilhas menores.
  • Coereba flaveola bolivari (Zimmer & Phelps, 1946): L Venezuela.
  • Coereba flaveola bonairensis (Voous, 1955): Bonaire.
  • Coereba flaveola caboti (Baird, 1873): L Mexico.
  • Coereba flaveola caucae (Chapman, 1914): O Colômbia.
  • Coereba flaveola cerinoclunis (Bangs, 1901): Ilha Pearl, Panamá.
  • Coereba flaveola columbiana (Cabanis, 1866): L Panamá a SO Colômbia, S Venezuela.
  • Coereba flaveola dispar (Zimmer, 1942): Peru central a NO Bolívia.
  • Coereba flaveola ferryi (Cory, 1909): Ilha La Tortuga, Venezuela.
  • Coereba flaveola flaveola (Linnaeus, 1758): Jamaica.
  • Coereba flaveola frailensis (Phelps & Phelps, 1946): Ilha Puerto Real, Venezuela.
  • Coereba flaveola gorgonae (Thayer & Bangs, 1905): Ilha Gorgona, Colômbia.
  • Coereba flaveola guianensis (Cabanis, 1850): L Venezuela, Guianas.
  • Coereba flaveola laurae (Lowe, 1908): Ilhas Testigo e Conejo, Venezuela).
  • Coereba flaveola lowii (Cory, 1909): Ilhas Los Roques, Venezuela.
  • Coereba flaveola luteola (Cabanis, 1850): N Colômbia, N Venezuela, Trinidad e Tobago.
  • Coereba flaveola magnirostris (Taczanowski, 1880): N Peru.
  • Coereba flaveola martinicana (Reichenbach, 1853): Martinica; Saint Lucia.
  • Coereba flaveola melanornis (Phelps & Phelps, 1954): N Venezuela.
  • Coereba flaveola mexicana (Sclater, 1857): SE Mexico a O Panamá.
  • Coereba flaveola montana (Lowe, 1912): altitudes O Venezuela.
  • Coereba flaveola nectarea (Wetmore, 1929): Ilha Tortue, Haiti.
  • Coereba flaveola newtoni (Baird, 1873): Saint Croix, Ilhas Virgens.
  • Coereba flaveola oblita (Griscom, 1923): Ilha San Andrés, Colômbia.
  • Coereba flaveola obscura (Cory, 1913): NE Colômbia O Venezuela.
  • Coereba flaveola pacifica (Lowe, 1912): arido NO Peru.
  • Coereba flaveola portoricencis (Bryant, 1866): Porto Rico.
  • Coereba flaveola sanctithomae (Sundevall, 1870): Ilhas Virgens.
  • Coereba flaveola sharpei (Cory, 1886): Ilhas Cayman.
  • Coereba flaveola tricolor (Ridgway, 1884): Ilha Providencia, Colômbia.
  • Coereba flaveola uropygialis (Berlepsch, 1892): Aruba e Curaçao.

Alimentação

Néctar, frutas e artrópodes. Para coletar alimento, em qualquer altura, agarra-se firmemente à coroa das flores e com o bico curvo e pontiagudo perfura o cálice, atingindo assim os nectários. Visita também as garrafas de água açucarada, destinadas a atrair beija-flores e comedouros de frutas para pássaros. Aprecia muito banana, mamão, jabuticaba, laranja e melancia, daí vem seu nome em inglês bananaquit.

Reprodução

Faz ninho esférico que pode ser de dois tipos, segundo sua finalidade:

1) Construído pelo casal para reprodução, o qual é relativamente alto e bem acabado, de acesso pequeno, superior e dirigido para baixo, coberto por longo alpendre que veda a entrada, de parede grossa e compacta, feito de palhas, folhas, capins e teias de aranhas. A câmara incubatória localiza-se no centro, com a entrada às vezes protegida por palha.

2) Construído para descanso e pernoite, o qual é menor, mais achatado, de construção frouxa e com entrada larga e baixa.

Põe de 2 a 3 ovos branco-amarelados, com pintas marrom-avermelhadas. A incubação é feita exclusivamente pela fêmea. Reproduz durante todo o ano, fazendo novos ninhos a cada postura.

Hábitos

Vive solitária ou aos pares e é bastante ativa. Toma banho muitas vezes, por causa do contato com o néctar pegajoso. Seu canto é relativamente forte, simples e monótono, e emitido incansavelmente. Canta a qualquer hora do dia e em qualquer época do ano. A fêmea também canta, mas pouco e por menos tempo. Para amedrontar um rival, põe-se de pé, estica o corpo e vibra as asas. Muito briguentas, as cambacicas chegam a cair engalfinhadas no solo, onde continuam a luta.

Na busca por alimento, muitas vezes fica de cabeça para baixo em um galho, visando atingir a flor. Geralmente está no meio das folhas e movimenta-se pelo interior da copa. Entretanto, voa bem e atravessa áreas abertas entre matas ou para visitar uma árvore isolada e florida em um campo. Também visita arbustos isolados e próximos à mata.

É comum em uma grande variedade de habitats abertos e semi-abertos, arborizados, onde existam flores - inclusive em quintais.

Distribuição Geográfica

Ocorre em quase todas as regiões do país, podendo estar ausente de regiões extensivamente florestadas, como no oeste e centro da Amazônia. É encontrada desde o SE México, America Central e Caribe e em todos os países da América do Sul, com exceção do Chile e Uruguai. Rara nos Estados Unidos (Florida) e Cuba.

Referências

Galeria de Fotos

cambacica.txt · Última modificação: 2019/07/20 20:50 por Alexandre Camara